De Sul a Sul entre o ser e o outro: Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí e Sueli Carneiro na crítica decolonial ao universalismo ocidental
Ethnic Conflict
Foreign Policy
Gender
Globalisation
Post-Modernism
Ethics
Euroscepticism
Narratives
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Abstract
Este artigo parte da crítica de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí ao universalismo ocidental, que, ao pretender fundar categorias analíticas e normativas universais, impõe um regime epistêmico particular e apaga os modos autóctones de organização social e política de diferentes povos. Em The Invention of Women (1997), Oyěwùmí, demonstra que o gênero, enquanto categoria estruturante da sociedade, é um produto histórico do Ocidente moderno, e não uma categoria e ontologia universal e atemporal das relações humanas. A pretensão ocidental de postular categorias e premissas universais, marcada pela cosmovisão e somatocentralidade, gera hierarquização entre diferentes povos, e também entre diferentes corpos e converte a diferença em desigualdade, que por sua vez sustenta o projeto ainda colonial de fundamentar a ideia moderna de humanidade. Estabelecendo diálogo com Sueli Carneiro, em A construção do outro como não-ser como fundamento do ser (2005), retomando o argumento de que a ontologia e epistemologia branca, em sua pretensão universalista opera mediante a negação do “outro”, de modo que o “ser” do sujeito branco se constitui na exclusão e subalternização do “outro” construído como o negro, o indígena e a mulher, por exemplo. Essa relação de negação e binaridade ontológica se correlaciona diretamente com o que Oyěwùmí identifica como o apagamento epistêmico que sustenta o universalismo moderno e a binarização que coloca os “seres” como opostos entre si. Neste sentido, o diálogo entre Oyěwùmí e Carneiro colocará em evidência que universalismo posto pelo Ocidente é uma prática colonialista que se trata de um imperativo ético e político que regulamenta a epistemologia e ontologia latino-americana, caribenha e africana. Metodologicamente, será realizada uma análise das obras de Oyěwùmí e Carneiro, para alçar o objetivo deste artigo, que consiste em desenvolver, a partir da crítica de destas duas autoras, uma reflexão interseccional e decolonial sobre o modo como as epistemologias ocidentais criaram a categoria de gênero, normatizando papéis sociais interseccioanis na América Latina e África, evidenciando o papel constitutivo da diáspora africana e das epistemologias feministas negras na reconstrução da categoria de gênero e na própria epistemologia feminista.