Tuesday 16:45 - 18:15 BST (16/06/2026) Building: Frederick Douglass Centre, Floor: 2nd Floor, Room: Room 2.15
To access full paper downloads, participants are encouraged to install the official Event App, available on the App Store.
Abstract
A explicação dos mecanismos de manutenção das hierarquias e do poder masculino, estruturados socialmente, reproduzidos nos processos de construção das masculinidades (Carrigan at al ,1985; Connell e Messersmith, 2005 e 2013), e tributária das teorias feministas, trazem à discussão os processos de socialização vivenciados por homens agressores. O que se pretende na pesquisa é trazer contribuições à discussão do papel da violência nos mecanismos de subordinação das mulheres e impactar políticas de prevenção. Apontando interessantes achados encontrados nas memórias de infância e juventude destes homens, tem-se dados analisados da primeira etapa do estudo, realizado na importante capital, Belo Horizonte, do Estado Minas Gerais, Brasil.
A partir do resgate de memórias, via respostas a um extenso questionário estruturado - ou seja um survey minucioso da vida destes respondentes -, nos foi oferecido um verdadeiro painel de hábitos e costumes e reveladas ambiguidades nos valores defendidos pelos entrevistados que localizamos como próprias dos períodos de grandes transformações. Interpretamos estas ambiguidades como indicadores que nos revelam o que denominados de dilemas de transformação e dilemas de transição vividos na vida social hoje. E também objeto de disputas no campo político-social, de convencimento tanto para o avanço quanto para o retrocesso das políticas destinadas às mulheres, jovens e meninas.
Para descrever os fenômenos encontrados nos processos de socialização, descritos nas respostas oferecidas pelos homens punidos pela lei brasileira, são analisadas práticas originadas de padrões morais e padrões de masculinidade aprendidas na infância e juventude, relacionando-as às mudanças de costumes que estão ocorrendo na vida contemporânea, por sua vez, vinculadas às novas leis, aprovadas nos últimos 40 anos pelo parlamento para reconhecimento de direitos e proteção das mulheres.
A criação desta pesquisa nasce para responder à urgente necessidade de compreender a experiência dos homens agressores brasileiros, suas crenças e seus costumes. E, a partir do reencontro da ciência com esta dimensão da cultura nacional, estabelecer padrões sociológicos de análise mapeando esse território microssociológico. E, sobretudo, tentamos responder à demanda de políticas públicas eficazes no campo da prevenção às violências praticadas contra mulheres.