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O Protocolo para Julgar com Perspectiva de Gênero e o trabalho materno de cuidado: avaliando seus alcances e limites no sistema judicial mexicano (2017–2025)

Gender
Human Rights
Institutions
Latin America
Political Economy
Feminism
Race
Judicialisation
Thaís Abdalla Bochour Cunha
Federal University of ABC
Thaís Abdalla Bochour Cunha
Federal University of ABC

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Abstract

A investigação analisa os alcances e limites do Protocolo para Julgar com Perspectiva de Gênero da Suprema Corte de Justiça da Nação, adotado em 2013 como marco normativo destinado a orientar a incorporação da perspectiva de gênero na interpretação jurídica no México. O estudo examina como decisões judiciais em matéria de família, proferidas entre 2017 e 2025, tratam o trabalho materno de cuidado, compreendido como atividade estruturante da reprodução social e profundamente marcada por desigualdades de gênero, raça e classe. Esse período abrange transformações institucionais relevantes, bem como o impacto da pandemia de COVID-19, que intensificou a centralidade do cuidado e evidenciou sua distribuição desigual. O objetivo consiste em avaliar se, e de que maneira, o Protocolo se constitui como instrumento capaz de influenciar a argumentação judicial relativa à maternidade, à corresponsabilidade familiar e à igualdade substantiva, sem pressupor previamente sua eficácia ou uniformidade de aplicação. A investigação adota metodologia qualitativa e documental, com análise de decisões da Suprema Corte de Justiça da Nação e de tribunais estaduais, orientada pelas categorias cuidado, maternidade, trabalho reprodutivo, corresponsabilidade e igualdade. O marco conceitual articula contribuições de autoras feministas mexicanas e latino-americanas, especialmente Karina Ochoa Muñoz, cujas análises sobre colonialidade de gênero e desigualdades estruturais permitem compreender como hierarquias históricas moldam práticas e interpretações judiciais, e Roberta Liliana Flores Ángeles e Olivia Tena Guerrero, que discutem o trabalho materno de cuidado como prática social organizada por responsabilidades desiguais e por relações de poder persistentes. Essas perspectivas oferecem ferramentas para identificar usos, omissões e disputas interpretativas presentes nas decisões judiciais, examinando como diferentes mobilizações — ou silêncios — do Protocolo revelam tensões, resistências e possibilidades de transformação institucional orientada pela perspectiva de gênero. Ao situar o caso mexicano no debate latino-americano sobre cuidado, justiça e instituições, o estudo busca contribuir para reflexões críticas acerca do papel dos sistemas judiciais na reprodução ou superação de desigualdades estruturais, ampliando a compreensão sobre os desafios para a construção de uma justiça de gênero substantiva no Sul Global.