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Às mulheres que poder: os elementos do poder informal no governo da Presidenta Dilma Rousseff

Gender
Government
Political Participation
Feminism
MARIA ANGÉLICA FERNANDES
Federal University of ABC
MARIA ANGÉLICA FERNANDES
Federal University of ABC

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Abstract

O poder informal constitui uma das barreiras mais determinantes ao acesso, permanência e desempenho das mulheres em espaços de poder e tomada de decisão. Operando nos bastidores das instituições políticas, ele é sustentado por mecanismos inconscientes do androcentrismo e por práticas culturais consolidantes de privilégios masculinos, baseando-se em códigos, rituais e redes exclusivas que mantêm a política como arena predominantemente masculina. Esse poder se manifesta em pequenas e grandes decisões tomadas em “espaços masculinos” — conversas de corredor, encontros privados, jantares restritos, articulações em comitês informais — onde as mulheres são excluídas ou têm sua presença deslegitimada. A dominação masculina atua também no nível simbólico, naturalizando desigualdades e construindo percepções que vinculam liderança e autoridade ao masculino, enquanto produzem misoginia e ódio direcionados a mulheres que ocupam posições de comando, como evidenciado no tratamento dispensado a Dilma Rousseff. A eleição de Dilma Vana Rousseff representou um marco simbólico para a democracia brasileira, mas não foi capaz de superar desigualdades estruturais profundamente arraigadas. Seus dois mandatos revelam como o campo político continua a afastar e a constranger identidades subalternizadas, impondo às mulheres obstáculos adicionais, mesmo quando detêm autoridade formal. O primeiro mandato da presidenta marcou um recorde histórico de nomeações de mulheres em posições ministeriais e estratégicas — o que desencadeou reações adversas tanto no legislativo quanto na opinião pública, expondo a persistência da resistência à liderança feminina. A pesquisa aqui apresentada parte de abordagem feminista crítica e utiliza métodos qualitativos e quantitativos para analisar o lugar das mulheres no governo Dilma Rousseff. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis ministras de Estado e seis secretárias nacionais de diferentes ministérios, apontando como os mecanismos de poder informal afetaram suas atuações, trajetórias e percepções sobre a política institucional. Os resultados reforçam a necessidade de repensar o político a partir de lentes interseccionais — considerando gênero, raça, classe e sexualidade — para compreender a legitimidade e os limites de democracias que ainda excluem, silenciam e punem metade da população. Garcia de Léon. Maria Antonia. Élites Discriminadas: sobre el poder de las mulheres; Barcelona. Anthropos, 1994.