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Entre Deus, Pátria e Família: A Articulação Discursiva de Mulheres da Extrema Direita no Brasil

Extremism
Gender
Latin America
Nationalism
Family
Feminism
Identity
Activism
Luana Loureiro Cruz
State University of Campinas
Luana Loureiro Cruz
State University of Campinas
FERNANDA Paiva
Escola Superior de Propaganda e Marketing

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Abstract

Compreendemos a extrema direita como um campo espacial e relacional, no qual tradições ideológicas e discursivas convergem e disputam o sentido de comunidade e nação. Nesse enquadramento, analisamos como os discursos de mulheres da extrema direita se articulam em torno da ideia de “família” em três frentes: (a) Legislativo, com as deputadas Bia Kicis e Ana Campagnolo; (b) Executivo, com Damares Alves e Ângela Gandra; e (c) esfera digital, com as influenciadoras Nicole Freya e Bruna Ferrari. A hipótese central é que a “família” opera como ponto nodal (point de capiton, Laclau & Mouffe, 1985), articulando dimensões religiosas, morais e nacionalistas e contribuindo para a formação de uma coalizão discursiva conservadora cristã (Bianchi & Kaysel, 2025). Essa coalizão funda uma economia moral que associa proteção da pátria, defesa da família e reafirmação de papéis de gênero tradicionais, conferindo autenticidade e legitimidade às mulheres conservadoras, posicionadas como guardiãs da nação e da moralidade pública. O argumento desenvolve-se em três movimentos. Primeiro, delimita o enquadramento conceitual da extrema direita como campo relacional estruturado por disputas sobre comunidade, nação e moralidade, enfatizando o papel simbólico da “família”. Em seguida, realiza uma análise comparativa das três frentes de atuação, identificando continuidades, ressonâncias e variações na mobilização da “família” por essas atrizes. Por fim, discute como essa mobilização consolida uma gramática moral conservadora que estrutura resistências às agendas de equidade sexual e de gênero no Brasil contemporâneo. Metodologicamente, adotamos uma abordagem qualitativa que combina etnografia digital (Hine, 2015; Pink et al., 2016) e análise crítica do discurso (Fairclough, 1992). A etnografia digital orienta a observação das performances e repertórios afetivos nas redes sociais; a análise crítica do discurso examina pronunciamentos, entrevistas e materiais institucionais, articulando dimensões textuais, discursivas e sociopolíticas.